Padrinhos são presos após morte de bebê de quatro meses por asfixia em Ponta Grossa
Casal havia assumido os cuidados da criança enquanto os pais saíram durante a madrugada; Polícia Civil investiga se os suspeitos assumiram o risco da morte ao consumir bebida alcoólica e não prestar os cuidados necessários
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Um casal de padrinhos foi preso em flagrante após a morte de um bebê de quatro meses, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. O caso aconteceu entre a madrugada de sábado (22) e domingo (23), quando a criança estava sob os cuidados dos dois investigados.
Os suspeitos foram identificados como Brayan de Paula Mehret, de 22 anos, e Andrielly Kauana de Oliveira, de 21 anos. Segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR), um exame preliminar apontou asfixia como causa da morte da criança.
A investigação tenta esclarecer exatamente o que aconteceu durante as horas em que o bebê permaneceu sob responsabilidade dos padrinhos.
Pais deixaram bebê aos cuidados dos padrinhos
De acordo com a apuração policial, os pais haviam deixado o bebê com o casal para sair durante a madrugada. Além da criança de quatro meses, duas meninas, de cinco e dois anos, também ficaram sob os cuidados dos investigados.
Segundo informações obtidas durante a investigação, os padrinhos teriam aceitado cuidar das crianças enquanto os pais saíam. O serviço seria remunerado.
Quando os pais retornaram à residência pela manhã, encontraram o bebê sem sinais vitais. Os serviços de emergência foram acionados, mas a criança já estava morta.
Polícia apura consumo de bebida alcoólica
Um dos pontos considerados importantes pela investigação é o consumo de bebidas alcoólicas pelos padrinhos durante o período em que estavam responsáveis pelas crianças.
Segundo o delegado responsável pelo caso, a mulher relatou durante o interrogatório que estava muito embriagada e que não teria percebido o que aconteceu durante a madrugada.
O homem, por sua vez, afirmou que também havia consumido bebida alcoólica e que chegou a verificar o bebê por volta das 2h. Segundo o relato apresentado à polícia, naquele momento a criança aparentemente estava bem.
Para a Polícia Civil, as circunstâncias levantam questionamentos sobre o cumprimento do dever de cuidado assumido pelo casal ao aceitar ficar responsável por um bebê de apenas quatro meses.
Irmã teria ouvido bebê chorando
O depoimento de uma das crianças que também estava na residência passou a fazer parte da investigação.
Segundo a Polícia Civil, a menina de cinco anos contou que teria ouvido o bebê chorando bastante durante a madrugada.
A partir dos depoimentos e dos resultados preliminares da perícia, os investigadores trabalham para reconstruir o que aconteceu antes da morte.
Uma das linhas de investigação mencionadas pela autoridade policial é a possibilidade de que o bebê tenha sido sufocado durante um episódio de choro. Essa hipótese, entretanto, ainda está sendo investigada e não representa uma conclusão definitiva sobre a dinâmica da morte.
Necropsia apontou asfixia
O exame preliminar de necropsia apontou asfixia como causa da morte.
Com base nos primeiros elementos reunidos, a Polícia Civil entendeu que o caso poderia ultrapassar uma situação de simples negligência.
A investigação avalia se houve dolo eventual, situação em que uma pessoa não necessariamente pretende provocar determinado resultado, mas assume o risco de que ele aconteça. A polícia também analisa a possibilidade de enquadramento como homicídio culposo, e a definição dependerá do avanço das investigações.
Casal foi preso em flagrante
Brayan e Andrielly foram presos em flagrante e encaminhados ao sistema prisional.
A Polícia Civil solicitou à Justiça a conversão das prisões em flagrante em preventivas. O pedido deve passar pela análise do Ministério Público do Paraná e do Poder Judiciário.
Os celulares dos investigados também foram apreendidos e poderão ser analisados para ajudar a estabelecer a cronologia dos acontecimentos durante a madrugada.
Até a publicação das informações mais recentes, os dois investigados não possuíam defesa constituída no processo. Eles são considerados suspeitos, e a responsabilização criminal dependerá da conclusão das investigações e do andamento do caso na Justiça.
A Polícia Civil continua ouvindo testemunhas e analisando os elementos periciais para determinar como ocorreu a asfixia e qual foi a participação de cada pessoa nos acontecimentos que terminaram com a morte da criança.
